quinta-feira, 11 de junho de 2015

O pico


Sou a neblina de um pico que em emerso
Monte, se estático uma aurora alcança,
Prumo-o à virtude tal que aos céus o lança
Por cume, dentre os cumes do Universo.
Ora, vergaram-me minha vida em nuança
Tão valente como um grão no ar disperso
Com fragrâncias a mais, de verso em verso,
E às crenças de uma prostrada esperança.
Caminhando no vento não ousei
Olhar para o que erige a caminhada
Ou para dentro do que sou e sei.
O grão não tornará morro sem nada
Que o faça persistir difuso à lei
Da solitude de uma madrugada.

Da falsidade das promessas


Postos nas mãos das pessoas que amamos
E já convicto não se pode dizer
Que com elas junto se pode ser,
Que somos quem seríamos que sonhamos.
Confia, e te basta um instante em sofrer
Penas, das juras que solenes damos;
E, quando pela decepção vamos,
Um não há que te possa o bem querer.
Diluir o peito, que em poeira será,
Das íntimas falhas a angústia clama
Sustenido amor, mas pranto virá.
Por nada que cesse em si se derrama
Eterno, eternamente verá
Incólume amor temperar tua lama.

Intruso degredado desse estado,
Distante da tormenta que se encerra,
Pudera eu ser melhor luz e pudera
Ser maior luz que a maior luz de um fado!

Pois quando quis ferir mais fui amado,
E em mim vi quando amei que o mau opera;
Enquanto o próprio peito são que era
Seu mote fez da vida contestado.

Na folha vaza o orvalho que estivera
Às mãos de Jove, à nau, em gota grossa,
Trasladou pela terra e aos céus volvera;

Também comigo o remorso remoça
Provando-me as virtudes por austera
Que estagnar destino se não possa.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Pêndulo

O pêndulo gemendo a traqueia invade
E faz-me mais covarde
Mesmo coragem abrangendo
Aqui.

Lá, tudo no quadro
É o poema em orvalho retratado:
Talhado
Sofrido
Julgado
Enganado
Não lido
Renegado,
Pelo seu ator amado. Entendido!

Os vivos não trazem a sorte pra perto,
Aqui.
Os vivos só fazem a morte, contínua,
Sorrir!
“Penso”, o peso propenso é o pêndulo: (para isso)
O peso
Propenso
É o pêndulo!
“E sim, breve existo.”

O coração de carbono

O abismo se aproximando...
Meu pensar, imaginar, vindo...
Vais tu, ó são peito, atropelando
E o carvão se acabando
Na ponta do lápis torto.

É o final: mira o chão!
A chantagem que vem me fazer morto.
Só corto as ligas da aflição
E seduz pular na boca do abismo.

Ah! Quão é mal morte ao coração
Que já é tudo o que me restou
Que me escala o diafragma
E que explode os meus pulmões,
Expelida! Expurgada!
É a fibra condenada
É o tudo que me restou...
Suspiro...escarro...ao abismo
Saltou.

Corredor

No corredor de corpos não passa nada.
Não passa nada no corredor!
Imenso...vazio imenso no corredor
Que não, já não passa nada.

Passa o vento no corredor
E um vulto a só procurando
Quem sabe, outro vulto, no corredor.

As luzes repentinamente se apagam no teto do corredor
Como se isso apagasse a imagem
De quem um dia lá passou,
Pisando seus frios mármores a sós.

A imagem vibra no fundo do corredor,
É só miragem das frações das vidas
Ou são só as danças das sombras...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

À estrela

                                                                                Sugestão de trilha sonorahttps://www.youtube.com/watch?v=k1-TrAvp_xs

Além para as nuvens colhi meu amor
no leito celeste de cor a brunir;
repouses, pois saibas que irei te seguir
sendo para ti no inverno uma flor!

Prometo-lhe amar por só bastar sentir,
sussurro-te e arranco do peito o fulgor
que em dois corações se demonstram maior,
maior se seriam se amarem se unir.

Nascestes dos céus contornando o instinto
selvagens, implícito em meu peito e hei
de ser novo homem contigo, e não minto!

Ou morro sozinho e ao céus subirei
mudando palavras num sonho onde sinto
saudades do beijo que lá lha darei.