terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ao meu destino

                                                                                Sugestão de trilha sonorahttps://www.youtube.com/watch?v=3G4NKzmfC-Q

Escrito está com novos traços
a fiadura de meus passos
a minha cura.

Rolava no ar, alçando compacta
os pés pelo chão e fátua
tornou-se escura.

Assídua se acanhou nas horas
perplexa a maga senhora
disléxica continua...

Seu som não retumbou no vento,
sua alma não teve o unguento
que mora morrendo na rua.

Lhe vejo que está só e aflita
seu senso, contudo, me fita
contido na sua.

Às vezes a encontro tão cálida
em ares de quem se quer pálida
morando na Lua!

Faz, que te faço mais e e alegro,
integre-me que lhe entrego
um beijo na boca tua!

E cai-lhe tão bem teu caminho,
tu, que embora o tenhas sozinho,
poética perpetua.

Que tenhas sozinho ele enfim
conquanto que tenhas em mim
o leito cujo amor flua.

Porque desejo

                                                                             Sugestão de trilha sonorahttps://www.youtube.com/watch?v=VbxgYlcNxE8

Desejamos,
que grande maldade que somos.
No silêncio da madrugada.
No silêncio da natureza.
No silêncio não somos nada
que pareça a parte do silêncio.

Se somos mais que silêncio
do preceder de gritos,
de sentir a mortalha,
não somos feitos de não feitos
mas feitos somente quadros queimados, por todos os lados,
por sopro de vida e poeira:
Pó para os meus desejos!

A maldade de ser, pois de ser
maldade porque
queria o sopro me ter maldade,
Por ter a parte de toda bem
o atino para a vida em som,
roubar da natureza o tom
roubo muito bem...

Desejo-lhe ter maldade
e a onda elevar teu posto
trinta mil anos após
de desejar um beijo para havermos
de ser mais que o mau silêncio, sentimento
Desejemos.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Via crucis

                                                                      Sugestão de trilha sonorahttps://www.youtube.com/watch?v=aCFnzSCzoYA

Na cidade se integra lixo:
canteiros aterrados,
surpreendentes furtos
sorrisos curtos,
medo fixo.

Dentro do meu quarto e o progresso tecnológico
um ser escatológico
se engendra.

Recrudescendo
aos poucos vai meu sentimento
pelos pés da multidão ornamentada
e irizado um câncer na alma, pela maligna ira
que um cão velou soldado, meu sufoco, ainda respira.
E no raso escuro de toda a treva
um grito que vara o horizonte,
subserviente Anacreonte,
arpoa Eva.

Aos poetas que contemplam estrelas de um céu inóspito
morrerão, desnudos diante à noite,
pois que o dia é um raio açoite
a prorrompe-las...
Pois que sozinhos - os anticristos -
manifestos na rua vaga
Tão calados e distantes sobretudo.
Sem nenhuma chance.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Toda melancolia

                                                                                 Sugestão de trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=vQVeaIHWWck

Haverá, senhora, o tempo em que dirás nunca.
Se algum torpor abraçar teu peito
Se estiverdes certa do quando podes ser triste,
Dirás nunca à melancolia...

O teu filho partirá teu corpo num suspiro ágil
E quando a febre lhe atingir misteriosamente
Lembrarás do nunca, eu imagino
Quando perderes o orvalho numa folha de figo.

À tua mão a réstia de um fogo breve
E pelos pés num manto o acúmulo de fracassos,
Então virás a mancha da agonia...

Pelas ruas o assombro parte em frente à tua vida
E se se lembras do quão nunca é todo pranto
Desvelar-se-á a morte em sincronia.

Último canto

                                                                                  Sugestão de trilha sonorahttps://www.youtube.com/watch?v=39DNaNAMKAU

Aqueles que perduraram até o tempo presente
Aparentemente diferem a lágrima
dos povos todos, da estática aurora,
e se incrementam compilados no nada.
Há de se glorificar a moça
que, de um remorso cativo,
subjetivou o estorvo sobrevivência.

Quando a escuridão pairou sob os lares
nenhuma alma inquieta sorriu.
Um hino não ressoou
Não viram a dor entrar, na periferia sólida
por dentro do peito um sorriso
morria murcho.

Um ébrio saltou à esquina, e caiu
perante esforços vagos de recuperar suas chances,
quando lâminas de sangue surgiram do céu
ninguém dormiu.

Os inocentes temiam a morte, temiam amar o mundo
Mas agora, que o têm,
primam pela força violenta,
só agora o movimento é uma rocha infante
Significante, significativo estuporador de momento.

Seu capital comprou as ilustres praças
e nenhum galho tornou ao fronde
de onde partira, extasiado.
Só não roubou a letra que desceu firme no enfado último, suspiro austero
quando os grilhões sedimentaram o vento
e, melancólico, rasgou a terra...
sob os túmulos plantados eternamente permanecemos.

Perfecto

                                                                                  Sugestão de trilha sonorahttps://www.youtube.com/watch?v=MPvS0g2papI
                                                                                                                  
                                                                                                                 “Inter peritura vivimus"
                                                                                                                                             Sêneca
Era início da autópsia. A diploide
Obstipada em contato ao pterígio
Em secreção do constante fastígio
Do endomísio ao linfoma à tireoide...
            
No trauma, a bifurcação no basilar,
O periósteo infindo ligando o lienal
Senil; no pênis, do apetite sexual,
Cravada a decídua deixou-se encontrar.
            
Das mucosas e sebáceas laríngeas
No epicôndilo, que já em hiperplasias,
Pariu-se as teralogias esfígeas.
            
Há exsanguinotransfusão em herniorrafias
E, no precórdio, a hipófise que tinge-as
Do encéfalo, com sangue de hemorragias.

Cabelo

Todos acham, nos fios de suas belezas,
O cabelo negro e fosco:
No olho dilatado ofusco
A tristeza de todas as tristezas.
            
Me parto inteiro de impurezas,
Castigo o ato maldito de mastigar
O nutriz do viver, sustentar
A gordura ao invés das magrezas.
            
Enquanto vou vivendo elástico e afore,
Como um passageiro sem hora nem data,
Meu rústico cabelo morre...
            
E vai ficando branco e prata...
Falsa anomalia coliforme,
Gélida vida que se mata.